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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Por que está mais difícil subir da base à chefia de uma empresa?


Turner começou como preparador de hambúrgueres e virou presidente do McDonald's (AP)Fred Turner, ex-executivo que morreu na última semana, foi um exemplo de grande ascensão profissional: passou de preparador de hambúrgueres do McDonald's a presidente da empresa, em 1974, ajudando-a a se tornar uma marca global.

Mas e hoje, ainda é realista pensar que é possível subir da base à chefia de uma empresa?

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Quando o britânico Jarrod Best tinha 16 anos, seu pai lhe disse que ele não era "inteligente o bastante" para passar na universidade.

Ainda que depreciativo, o comentário serviu para que Jarrod se esforçasse para se provar para sua família. Ele começou a trabalhar como ajudante de uma empreiteira e, passados 20 anos, tornou-se diretor-gerente e sócio da empresa, comandando 80 funcionários e milhões de dólares em receita.

"Queria olhar meu pai de igual para igual, em vez de pedir dinheiro emprestado para ele", conta.

A história de Best, assim como a de Turner, é cada vez mais incomum. No mundo corporativo, a habilidade de convencer investidores e elaborar estratégias globais é mais valorizada do que virtudes tradicionais como trabalho duro e bom senso.

'Mitologia'

Para Matthew Gwyther, editor do periódico especializado Management Today, diz que trabalhar para chegar da base ao topo, a exemplo de Turner no McDonald's, atualmente é mais "mitologia" corporativa do que realidade.

"É algo meio folclórico e antiquado", diz.

Muitas empresas grandes esperam que seus executivos passem uma semana "nos andares de baixo" para aprender como o negócio funciona - e isso, argumenta Gwyther, é mais do que suficiente.


Stuart Rose foi vendedor de pijamas antes de comandar rede varejista britânica

"Não é preciso trabalhar anos como limpador de chaminé para saber a respeito de chaminés", defende.

Há muitos exemplos de executivos de origem humilde, principalmente em áreas como varejo e serviços. Mas são raros os que foram de um cargo muito baixo a um muito alto.

São poucos os que são carismáticos, empenhados e ainda se mantêm na mesma empresa ao longo de anos. Estes costumam falar de suas empresas como uma "família" e creem que qualquer um pode chegar à diretoria se for suficientemente esperto e esforçado.

Michel Taride, presidente do braço internacional da empresa de aluguel de carros Hertz, diz que "os olhos das pessoas saltam" quando ele conta que está na mesma companhia há quase 40 anos.

Taride passou sua adolescência sonhando ser músico e só concorreu ao emprego de diretor de uma agência da Hertz para satisfazer sua mãe. Para sua própria surpresa, pegou gosto pelo trabalho e começou sua subida na escada corporativa.

Individualismo e mobilidade social

Mas ele admite que o mundo mudou desde então. "As pessoas são menos leais, mais individualistas. Há menos sentimento de compromisso com uma empresa."

Stuart Rose, ex-presidente da gigante varejista britânica Marks & Spencer, diz que começou vendendo pijamas na empresa.

"As pessoas tentam, erroneamente, planejar suas carreiras até o nono grau", afirma Rose. "Vivemos numa sociedade do imediatismo. Todos querem chegar ao topo. Só um consegue ser executivo-chefe. Trabalhei numa empresa que empregava 100 mil pessoas, o que significa que 99.999 delas não terão esse cargo."

Ao mesmo tempo, ele se preocupa com o aparente colapso da mobilidade social em seu país - reclamação constantemente ouvida também nos EUA e em outras partes da Europa.

Para Rose, os jovens atuais têm "menos disposição a fazer sacrifícios". "Muitos estão fechando seus próprios horizontes."

Já Ian Payne, presidente da rede de pubs britânicos Stonegate, se queixa do que considera "falta de ambição" entre alguns jovens. E admite que tende a preferir empregados que começaram lá embaixo e cresceram, como ele.

Payne fala com orgulho de um jovem empregado de 27 anos que começou como funcionário de meio período de um dos pubs e hoje é um dos gerentes da empresa.

Em contrapartida, "temos um cara que trabalha para nós há seis anos, na mesma função. Disse a ele que ele precisa de um belo chute no traseiro".,
Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/01/130112_funcionario_presidente_pai.shtml 21/01/2013
 

 

Gigante do varejo de música HMV pede concordata


Foto: Reuters


A famosa cadeia britânica especializada em música e filmes HMV entrou em concordata após mais de 90 anos de existência, tornando-se a mais recente empresa de projeção mundial no ramo a passar por sérias dificuldades em virtude da queda de vendas de CDs e afins.

A Deloitte, auditoria apontada como administradora da empresa em processo de concordata,vai manter abertas as 239 lojas da HMV no Reino Unido e na República da Irlanda - que empregam 4.350 pessoas -, enquanto avalia as perspectivas para o negócio e procura potenciais compradores.
A negociação de ações da HMV na Bolsa de Valores de Londres foi suspensa, informou a empresa em um comunicado.
A HMV, que iniciou suas atividades em 1921, tem encontrado problemas para se adaptar ao varejo online, mas suas dificuldades também refletem o mau momento enfrentado por várias cadeias das principais ruas de comércio britânicas.
Recentemente, o país testemunhou a falência da Jessops, varejista da câmeras e filmes fotográficos, e da conhecida cadeia de eletroeletrônicos Comet.
Trevor Moore, principal executivo da HMV, afirmou já ter iniciado os trabalhos com a Deloitte.
"Continuamos convencidos de que encontraremos uma saída", ele disse a jornalistas. "A intenção é continuar com as lojas abertas. 

Promoção
A HMV se encontrava em crise financeira havia mais de um ano. Em 13 de dezembro ela avisou que poderia ter que quebrar acordos de empréstimos bancários, o que fez o preço de suas ações desabar.
A varejista, cuja primeira loja foi aberta em Oxford Street, Londres, em 1921, foi duramente afetada nos últimos anos pela forte concorrência de supermercados, varejistas online e downloads digitais.
Como dívidas se acumulando, a HMV vendeu parte do negócio, seu braço de entretenimento ao vivo e a cadeia do livro Waterstones.
Na semana passada, ela anunciou uma promoção especial de um mês, com corte de 25% dos preços, o que provocou temores de que a empresa precisava se livrar do estoque após vendas fracas no Natal.
O jornal Financial Times informou que a gota d'água veio nos últimos dias, quando os fornecedores, incluindo gravadoras e empresas de cinema, se recusaram a ajudar a HMV com financiamento para que pudesse continuar a operar.  

'Irrelevante e insustentável'
Neil Saunders, diretor da empresa de análise de varejo Conlumino, disse que a nomeação de administradores para a HMV "sempre foi inevitável".
Ele disse: "Enquanto muitos fracassos dos últimos tempos têm sido, pelo menos em parte, impulsionados pela economia, os problemas da HMV decorrem de uma falha estrutural.
"Na era digital, onde 73,4% da música e do cinema estão online, e o modelo de negócios da HMV simplesmente se tornou cada vez mais irrelevante e insustentável"
Neil Sounders, analista
"Na era digital, onde 73,4% da música e do cinema estão online, e o modelo de negócios da HMV simplesmente se tornou cada vez mais irrelevante e insustentável".
Ele disse que, embora a marca HMV "certamente tem algum valor" para os potenciais compradores, o modelo de negócios atual está morto.
"Não há futuro real para o varejo físico no setor da música", disse ele.
Maureen Hinton, analista da Verdict Research, concorda que HMV foi lenta quando se trata de vendas digitais.
"Se a empresa tivesse migrado para o online há 10, 15 anos, teria uma marca muito forte, que poderia ter construído uma presença real", disse ela à BBC. "Mas, no momento, se pensarmos online só pensamos na Amazon".
Mateus Hopkinson, da Local Data Company, disse que os problemas com a HMV são particularmente preocupantes para os centros comerciais.
"Se você levar em conta o ocorrido a mesma semana com a Jessops, é de se esperar outros problemas nas high streets (principias ruas de comércio varejista nos grandes centros urbanos).
"E HMV particularmente tem algumas lojas muito grandes - e, obviamente, mais de 60% de suas lojas estão em centros comerciais, que serão atingidos.".


Nota: 90 anos de história não foram suficientes para sustentar a gigante HMV, uma grande lição permanece, não dá para viver de passado, se quer sobreviver no mercado atual precisa-se reinventar constantemente.